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Preço do arroz
Fonte: freepik

O aumento de preço do arroz, considerado um dos principais itens das refeições, foi significativo e uma surpresa para muitas pessoas. Em meio a esse cenário, o Governo criou uma cota para importação como uma forma de conter os valores.

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Para ter ideia da diferença da média entre as quantias antes praticadas e após a alta, o usual era de R$ 15 e em alguns locais chegou até R$ 40. Esse preço condiz com o pacote de 5 quilos.

A medida adotada pelo governo para contornar a alta significativa no preço do arroz foi a alíquota zerada do tributo de importação.

No decorrer da reunião do comitê-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que tem vínculo com o Ministério da Economia, a proposta que teve origem no Ministério da Agricultura, foi acatada.

A ação é temporária e além de estar restrita até dezembro de 2020, é válida para a demanda de 400 mil toneladas, que abrange o arroz semibranqueado e branqueado não parboilizado e o arroz com casca não parboilizado.

Até este ponto, a Tarifa Externa Comum (TEC) era de 10% para o arroz em casca e de 12% para o beneficiado. Com exceção aos países do Mercosul, que já tinham tarifa zerada.

Por que o preço subiu?

Assim como diferentes questões que podem impactar a economia e sociedade como um todo, os motivos para a alta no preço do arroz gerou discussões variadas. No geral, os motivos apontados com o maior destaque são dois: elevação de consumo devido ao auxílio emergencial e o dólar.

Para compreender de uma forma mais clara, a primeira razão está associada com o direcionamento do auxílio para 1/3 da população brasileira de baixa renda.

A alimentação acaba sendo uma das principais finalidades para o dinheiro e por isso, o aumento de consumo é citado como um dos motivos devido ao reflexo na demanda.

Junta-se a esse cenário a necessidade de citar que, o fato de mais pessoas cozinharem em casa devido a pandemia, também tem influência na alta do consumo.

O impacto do dólar no preço do arroz

Preço do arroz
Fonte: Google

Em relação ao dólar, é importante observar que seu valor (R$ 5,30 no mês de setembro) tem impacto no processo de importação e exportação.

Isso acontece devido às mudanças de preferência, pois ao decidir pela exportação ao invés de disponibilizar determinado item em território nacional, obtém-se o dólar.

Ainda mais, a alta do dólar tem uma grande influência nas commodities, que correspondem aos itens vendidos internacionalmente.  Em suma, exportar passou a render mais, o que envolve também derivados da soja e outros itens.

Os números do arroz não são os únicos que se destacaram em 2020. Na realidade, outros itens que compõem a alimentação básica tiveram aumentos significativos.

Por exemplo, dependendo da área, o feijão ultrapassou 30% de elevação e o leite 23%. Esses fatores estão associados também com a valorização da moeda americana.

O veto das exportações por parte de países asiáticos também deve ser considerado nesse cenário, pois deu oportunidade para que o Brasil tivesse expansão de cerca de 73% nas exportações em comparação a 2019.

Por isso que para atender as demandas em território brasileiro, há necessidade de pagar mais e consequentemente, o orçamento do consumidor destinado para itens básicos também é alterado.

Além dos pontos ressaltados, há um terceiro motivo em potencial. De certo modo, o fato de que os estoques públicos de arroz foram reduzidos ao longo do tempo, tem influência na oferta e demanda.

Nesse caso, também é interessante citar que estima-se que menos de 30% dos produtores são atingidos pelos reflexos dos números altos, justamente pelo baixo incentivo no campo e aumentos no custo de produção.

Sendo assim, engana-se quem pensa que todos os produtores estão lucrando muito com esse cenário.

Quais são as expectativas?

A contenção é uma medida que a curto prazo pode gerar resultados no mercado, o que não exclui a busca por maior estabilidade da tendência de queda.

Vale observar que uma vez que um dos indicadores para a alta no preço do arroz é a valorização do dólar, é complexo prever em qual momento a redução do preço pode ocorrer como reflexo da valorização do real em relação à moeda americana.

Além desses fatores, espera-se que os estoques sejam mais altos. A previsão do Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que a próxima safra a ser colhida em 2021 conte com  uma área 12% maior, com aumento de 7,2% de produção.

Dessa forma, é possível observar que a relação entre baixa oferta e alta demanda, a elevação do preço é significativa. No entanto, o estímulo da importação surge como uma tentativa de redução, mesmo que alguns profissionais apontem que a queda possa ser mais significativa apenas em 2021.